Já se emocionou lendo?
Já sorriu sozinho graças ao cheiro de asfalto molhado da chuva?
Já brindou com os amigos?
Já abriu a geladeira e se esbaldou com pudim de leite?
Já jiboiou a tarde toda depois de comer feijoada?
Já se alongou como um gato?

Já misturou alívio e prazer quando fez xixi e estava muito apertado?
Já dividiu com o mundo o amor porque ele extrapolou o peito quando percebeu estar apaixonado?

(tirei daqui)
Pô, você tem sorte.
São coisas tão simples.
Mas
Para ver é necessário córneas
Para andar por aí é preciso pulmão
Para brindar é preciso fígado
Para comer pudim é preciso pâncreas
Para comer feijoada é preciso intestino
Para fazer xixi é preciso rim
Para alongar-se é preciso tendões
Para apaixonar-se é preciso coração.
Seria uma tremenda sacanagem vir ao mundo e deixar de provar certas coisas.
Tem quem nasce, cresce e experimenta tudo isso.
Mas imagine se o que te separa da realização do sonho é a ajuda de um desconhecido.
É possível doar:
Órgãos: coração, pulmões, fígado, rins, pâncreas e intestino.
Tecidos: córneas, partes da pele não visíveis, ossos, tendões e veias
Será que o desconhecido vai bater na sua porta e estender a mão na hora da pressão?
Com sorte, chapa, você não vai precisar; vai viver, correr, experimentar e não passar por isso. Não passar pela fila. Pela expectativa. Pela espera. Pelo exame de compatibilidade. Sim, ainda tem essa, a tal probabilidade nessa hora é cruel. LadyMurphy, sabe?
Vou te contar, sempre fui doadora. Adorava, achava incrível; aí apareceu hepatite A (a mais comum e menos agressiva) que só me serviu para deixar de doar sangue e o fígado - que segundo o acupunturista já tá meio sobrecarregado das tantas emoções.
Rolou uma tristeza. Toda vez que uma amiga(o) está com alguém no hospital e pede doação fico azul, pensando que poderia fazer a diferença. Camarada, se você quer fazer a diferença, seja a diferença. Seja um doador.